Rota Cafés #2: Gijón, um café pra fazer cara de intelectual

É um prazer entrar num local onde já estiveram tantas personalidades e, ao escolher uma mesa, saber que ali tantos temas importantes foram discutidos. Quando conhecemos a história do Café Gijón, queremos fazer parte dela.

Fachada Café Gijón

Tudo começou quando o asturiano Gumersindo Garcia retorna de Cuba e decide abrir um negócio em Madri. Escolhe o nome em homenagem à sua cidade natal e, em 1888, inaugura o Café Gijón.

Desde então o local acolheu as mais importantes tertúlias, testemunhou conflitos, foi inspiração pra livros e quadros, e desde 1950, dá nome a prêmio literário.

Clientes famosos
Pelas mesas desse café de tertúlia, nome dado aos locais onde se realizava esse tipo de reunião, passaram grandes personalidades como Federico García Lorca, Santiago Ramón y Cajal, Camilo José Cela, Mario Vargas Llosa e Octavio Paz.

Tarta de Santiago y café Bombón

Escolha um bom livro, caminhe prazerosamente pelo Paseo de Recoletos e, ao entrar no Café Gijón, você se sentirá parte da história. O preço caro e o mau humor dos garçons você ignora ;)

FICA A DICA >> experimente o Café Bombón preparado com leite condensado e, pra acompanhar, Tarta de Santiago (foto).

Preço dos cafés: €4,10 (cafezinho), €5,40 (cappuccino), €9,20 (cafés especiais)
Endereço: Paseo de Recoletos, 21
Metrô: Banco de España ou Colón

Site: www.cafegijon.com

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La Bola e o seu famoso “cocido madrileño”

O La Bola já estava há bastante tempo na minha “to-do list” e dessa vez juntei a comemoração do meu aniversário e uma amiga morando em Madri pra experimentar o seu tradicional e famoso cocido madrileño. Da comida ao atendimento, tudo superou as minhas expectativas!

CocidoCheguei preparada para aguentar garçons mal-humorados como é habitual nos locais tradicionais de Madri, mas fui surpreendida pelo astral da equipe. Conseguia ser profissional e divertida ao mesmo tempo, por isso fique à vontade pra pedir que tirem fotos e esclareçam todas as suas dúvidas sobre o cardápio. Só não espere falar inglês com eles, é melhor tentar um portunhol ;)

O local, aberto em 1870, pela matriarca da família Verdasco, é tradicional e familiar. Conserva nas suas paredes a mesma decoração de madeira de quando foi inaugurado e, junto a ela, dezenas de fotos das celebridades e autoridades que já passaram por suas mesas.

Fachada La Bola

Pra cada bolso um cozido
No início do século passado, pobres e ricos freqüentavam o La Bola, mas não comiam o mesmo cozido. Às 12h, era servido o mais barato por 1,15 pesetas e muito buscado pelos operários. Quem podia pagar um pouco mais, desfrutava da versão com galinha que saia às 13h, horário em que o local ficava cheio de estudantes. E a partir das 14h, jornalistas e senadores comiam um cocido madrileño completo com todas as suas carnes e embutidos. Atualmente a receita é única e custa aprox. 20€ (o prato é individual, mas é comida pra um batalhão!).

A receita tradicional
Um dos pratos mais típicos da culinária local, o “cocido madrileño” tem como principal ingrediente o grão-de-bico, que vai acompanhado de batatas, carne, embutidos, galinha e repolho (e às vezes de mais alguns ingredientes). A tradicional receita do La Bola está no site do restaurante, mas o segredo deles está no preparo realizado em potes de barro a fogo lento de carvão.

FICA A DICA >> reservar mesa com bastante antecedência e pagamento só em dinheiro.

Preço por pessoa: entre 25 e 30€
Endereço: Calle de La Bola, 5, 28013, Madrid
Metrô: Santo Domingo ou Ópera

Site: www.labola.es
Blog: www.tabernalabola.blogspot.com
Twitter: @tabernalabola